quarta-feira, 18 de março de 2009

Amor e Sexo


A primeira vez que ouvi a balada Amor e Sexo da Rita Lee, fiquei encantada com as definições poéticas desta roqueira para o que nós, estudiosos da sexualidade, nos envolvemos e infelizmente no nosso empenho, muitas vezes não alcançamos a grande massa tanto quanto um ídolo como ela.
Ela, que já foi Ovelha-Negra da família, popularizou o Banho de Espuma, liberou no Lança-Perfume e relatou seu Caso Sério, nos fala de amor (sentimento) e sexo (exercício).

“Amor é um livro, Sexo é esporte”
Amor é um sentimento de dedicação a outro alguém, é um querer estar junto, é um buscar aconchego na imensidão do bem querer. Quando amamos fazemos história, temos uma sensação de infinito, nos traz sabedoria do outro e nos mostra um pouco mais de nós mesmos. Fazer amor é o antes, o no olho no olho, na cumplicidade sem palavras; durante é atividade sexual expressão do desejo erótico, onde buscamos o prazer físico, vivenciado na manifestação da resposta sexual, na ativação do pensamento ou na imagem erótica. Fazer amor é o depois, no descanso dos corpos, um no peito do outro, no afago dos cabelos, no embalo das batidas ritmadas dos corações. É se sentir compromissado com a vida do outro e desejar a continuidade da união, é ternura.
“Amor é latifúndio, Sexo é invasão”
“Amor é cristão, Sexo é pagão”
Por amor, somos generosos, dedicados, suaves e carinhosos, cuidadosos. Por tesão, somos ardentes, agressivos, as carícias são intensas, apertamos, puxamos, abusamos, somos egoístas para o gozo. É a tesão, o desejo erótico, sempre transgressor, querendo ir além das normas e interdições sócio- culturais. Somos frutos da cultura em que nascemos e vivemos e esta cultura é passível de transformações, sempre lentas é claro, mas que moldam nossas crenças. Vivemos numa revolução sexual, ela ainda não se resolveu. Sendo assim, queremos sexo sem preconceito, sem repressão, sem decência, sem moral e sem pecado; queremos sexo com descontração, espontaneidade e criatividade.

“Sexo sem amor é vontade”
Sente-se uma combustão no ar. Ela fala de desejo, de apetite, de uma disposição pra se aproximar de alguém com intenções sexuais, função autônoma, de um querer que vem, nem sempre sabemos de onde e tão desvinculados de nossos compromissos que esquecemos quem somos e onde estamos, é arrepio na coluna. Veríssimo já escreveu “dar não é fazer amor......só dar por dar”. É uma vontade de realizar imediata e imperativamente um desejo físico, uma fantasia. Existem objetivos diferentes para a atividade sexual como a reprodução, a experimentação, a tesão. Entretanto somos animais racionais e conscientes, nossa sexualidade não é livre, é envergonhada, sabemos que as aventuras envolvem riscos, riscos que nos expõe à vulnerabilidade e perdas. A maturidade é quando reconhecemos essa vontade, identificamos sua fonte, fazemos escolhas, resistimos e por acreditarmos nelas, não nos arrependemos.
Existem formas diferentes de amar: filial, maternal, amizade, romântico e este último precisa saber conviver com o sexo equilibradamente, senão vai anulá-lo.

“Amor é bossa-nova, Sexo é carnaval”
O Amor é um ritmo lento que nos embala, Sexo é folia, ritmo agitado, suadeira, diversão, folia e fantasia. Puxa! Gostamos dos dois, podemos ter os dois? O relacionamento ideal tem tudo, amor, sexo, satisfação, porém, na prática a rotina se impõe ao sexual e é preciso saber que amar não isenta a preocupação com a manutenção do clima erótico. Muitos amam e não expressam seu erotismo, outros fazem sexo, mas não se amam.
O estudo da sexualidade nos faz compreender cada vez mais o conceito e a representação do erotismo, que é genuíno a partir de cada um de nós e não imposto pela cultura consumista.
Assim agora, me permito definir livremente algumas diferenças entre amor e sexo:

‘Sexo é da luta, Amor é da paz. Sexo é possuir, Amor é entregar. Sexo é ilha, Amor é continente. ’

terça-feira, 10 de março de 2009

Sexualidade


Nossa sexualidade é a maneira pela qual expressamos e comunicamos nossos desejos, sentimentos, emoções e prazeres. Seu veículo é o corpo e, através dele transmitimos e recebemos mensagens tão ou mais verdadeiras do que aquelas ditas pela nossa fala.

A sexualidade humana é um conjunto de fenômenos que se desenvolve na interação de vários fatores como a identidade sexual (que nos é dada ao nascer), a identidade de gênero (que a cultura nos impõe desde o início da vida) e o processo educacional, que molda nosso comportamento de acordo com os valores familiares, religiosos e culturais.

Nossa história de vida sexual vai acontecendo assim, vamos aprendendo o que é permitido, o que é tabu, o que é feio e sujo e o que é belo e gostoso.

De acordo com o clima no qual as primeiras experiências sexuais se realizam, haverá facilidade ou não de nos expressarmos espontâneamente nos relacionamentos afetivos. Qualquer mau funcionamento da atividade sexual traz para o indivíduo baixa auto-estima, desgaste da relação, ansiedade e consequente queda ou perda do apetite sexual.

Por isso, hoje eu me dedico à educação formal para uma saúde psicossocial, oportunidade para os jovens adquirirem conhecimentos de saúde reprodutiva, sexualidade e uso de drogas, debates sobre as diferenças entre os gêneros e liberdade de expressão.


Falarei mais sobre isto da próxima vez.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Saúde Psicossocial

A Saúde Psicossocial complementa a saúde física e pressupõe que o indivíduo esteja bem consigo mesmo e que possa se relacionar com o outro de maneira satisfatória. Para tanto, é preciso que saiba reconhecer suas habilidades, fragilidades e que saiba usufruir do prazer.

A compreensão da saúde biopsicossocial como um direito humano fundamental é tão importante quanto oferecer meios para que todos tenham acesso às informações de seus interesses e recursos, para procurar uma ajuda, quando necessário.

Como se aprende isso?

Desde o início da década de 1980, a discussão sobre os temas que permeiam o dia-a-dia da comunidade escolar, tais como a pluralidade de concepções, valores, crenças e diversidade, gerou movimentos que resultaram na apresentação dos Temas Transversais, dentro dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).

Grupos de especialistas se organizaram para treinar educadores da rede pública de ensino de São Paulo, que em sala de aula, lidariam com temas como Ética; Saúde; Sexualidade; Trabalho e Consumo; Pluralidade Cultural e Meio Ambiente.

Mas nem todos trabalham estes temas, principalmente sexo e drogas (ainda temas tabus!), nem todos foram capacitados e, fora da rede pública, poucas escolas se dedicam à reflexão desses temas.

Então, resta o que cada um pode aprender em casa, com os valores familiares, como manter a saúde física, bem relacionar-se no trabalho e na intimidade e como se sentir bem consigo mesmo
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