
A primeira vez que ouvi a balada Amor e Sexo da Rita Lee, fiquei encantada com as definições poéticas desta roqueira para o que nós, estudiosos da sexualidade, nos envolvemos e infelizmente no nosso empenho, muitas vezes não alcançamos a grande massa tanto quanto um ídolo como ela.
Ela, que já foi Ovelha-Negra da família, popularizou o Banho de Espuma, liberou no Lança-Perfume e relatou seu Caso Sério, nos fala de amor (sentimento) e sexo (exercício).
“Amor é um livro, Sexo é esporte”
Amor é um sentimento de dedicação a outro alguém, é um querer estar junto, é um buscar aconchego na imensidão do bem querer. Quando amamos fazemos história, temos uma sensação de infinito, nos traz sabedoria do outro e nos mostra um pouco mais de nós mesmos. Fazer amor é o antes, o no olho no olho, na cumplicidade sem palavras; durante é atividade sexual expressão do desejo erótico, onde buscamos o prazer físico, vivenciado na manifestação da resposta sexual, na ativação do pensamento ou na imagem erótica. Fazer amor é o depois, no descanso dos corpos, um no peito do outro, no afago dos cabelos, no embalo das batidas ritmadas dos corações. É se sentir compromissado com a vida do outro e desejar a continuidade da união, é ternura.
“Amor é latifúndio, Sexo é invasão”
“Amor é cristão, Sexo é pagão”
Por amor, somos generosos, dedicados, suaves e carinhosos, cuidadosos. Por tesão, somos ardentes, agressivos, as carícias são intensas, apertamos, puxamos, abusamos, somos egoístas para o gozo. É a tesão, o desejo erótico, sempre transgressor, querendo ir além das normas e interdições sócio- culturais. Somos frutos da cultura em que nascemos e vivemos e esta cultura é passível de transformações, sempre lentas é claro, mas que moldam nossas crenças. Vivemos numa revolução sexual, ela ainda não se resolveu. Sendo assim, queremos sexo sem preconceito, sem repressão, sem decência, sem moral e sem pecado; queremos sexo com descontração, espontaneidade e criatividade.
“Sexo sem amor é vontade”
Sente-se uma combustão no ar. Ela fala de desejo, de apetite, de uma disposição pra se aproximar de alguém com intenções sexuais, função autônoma, de um querer que vem, nem sempre sabemos de onde e tão desvinculados de nossos compromissos que esquecemos quem somos e onde estamos, é arrepio na coluna. Veríssimo já escreveu “dar não é fazer amor......só dar por dar”. É uma vontade de realizar imediata e imperativamente um desejo físico, uma fantasia. Existem objetivos diferentes para a atividade sexual como a reprodução, a experimentação, a tesão. Entretanto somos animais racionais e conscientes, nossa sexualidade não é livre, é envergonhada, sabemos que as aventuras envolvem riscos, riscos que nos expõe à vulnerabilidade e perdas. A maturidade é quando reconhecemos essa vontade, identificamos sua fonte, fazemos escolhas, resistimos e por acreditarmos nelas, não nos arrependemos.
Existem formas diferentes de amar: filial, maternal, amizade, romântico e este último precisa saber conviver com o sexo equilibradamente, senão vai anulá-lo.
“Amor é bossa-nova, Sexo é carnaval”
O Amor é um ritmo lento que nos embala, Sexo é folia, ritmo agitado, suadeira, diversão, folia e fantasia. Puxa! Gostamos dos dois, podemos ter os dois? O relacionamento ideal tem tudo, amor, sexo, satisfação, porém, na prática a rotina se impõe ao sexual e é preciso saber que amar não isenta a preocupação com a manutenção do clima erótico. Muitos amam e não expressam seu erotismo, outros fazem sexo, mas não se amam.
O estudo da sexualidade nos faz compreender cada vez mais o conceito e a representação do erotismo, que é genuíno a partir de cada um de nós e não imposto pela cultura consumista.
Assim agora, me permito definir livremente algumas diferenças entre amor e sexo:
‘Sexo é da luta, Amor é da paz. Sexo é possuir, Amor é entregar. Sexo é ilha, Amor é continente. ’
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