segunda-feira, 4 de maio de 2009

Dia das mães chegando .....


É tempo de pensar na compra do presente, em pegar a estrada para encontrá-la, no cardápio do almoço ou na reserva do restaurante preferido dela. Tudo isso tem que ser encaixado com todos os outros compromissos rotineiros, caso não surjam alguns inesperados.

É tempo de comemorar na companhia daquela que, desde que soube da nossa existência (a partir do útero ou a partir do coração), não soube mais o que é ser despreocupada. ‘Ser Mãe é Padecer no Paraíso’.

Ser Mãe é Padecer no Paraíso?

Os antigos repetiam muito esta máxima, na medida em que compreendiam o papel materno como a função em tempo integral de proteger, alimentar, controlar, disciplinar, cuidar da higiene, levar ao médico, à escola, vestir, fazer reforço escolar, enfim, modelar cidadãos honrados e obedientes às leis.

Ok, entendi o ‘Padecer’. E o Paraíso?

Ah, o ‘Paraíso’ é quando o(a) filho(a) corre para o colo dela e a abraça bem apertado; liga para pedir aquilo que só ela sabe fazer para ele(a); conta aquele segredo e pede para que ela não conte para o pai ( e ela não conta, mesmo!); é ser detentora de um lugar cativo, permanente e intransferível, no coração e na vida afetiva de cada um da sua prole.

Atualmente, será que a afirmativa procede?

Vejamos:
O papel da mãe, assim como de outro responsável pela formação de uma criança, é proporcionar um ambiente seguro, é fornecer uma alimentação saudável, é assegurar que a criança sinta-se pertencente àquela família. É também transmitir valores morais, tradições e reverenciar os ancestrais.

Muitas mães confundem ser ‘ mãe amiga do(a) filho(a)’ com ser uma ‘amiga do(a) filho(a)’; desta distinção do ‘ser mãe’ resulta a carência no treino de respeito às autoridades e a ausência da valorização da disciplina; consequentemente, os filhos não têm aprendido a serem responsáveis por suas atitudes e deveres; nem a seguir ordens de outros adultos significativos além de seus pais. Aprendem bem sim, a ter seus desejos sempre realizados a todo custo por elas.

Após duas décadas de abordagens pedagógicas liberais, constatamos que o resultado foi desastroso e é mister reformular os conceitos de convivência familiar.

As mães são modelos de referência poderosas, e este sim é um fardo que sempre carregaram e carregarão, por isso fiquem sempre atentas, pois a recompensa virá como paraíso ou não.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Amor e Sexo


A primeira vez que ouvi a balada Amor e Sexo da Rita Lee, fiquei encantada com as definições poéticas desta roqueira para o que nós, estudiosos da sexualidade, nos envolvemos e infelizmente no nosso empenho, muitas vezes não alcançamos a grande massa tanto quanto um ídolo como ela.
Ela, que já foi Ovelha-Negra da família, popularizou o Banho de Espuma, liberou no Lança-Perfume e relatou seu Caso Sério, nos fala de amor (sentimento) e sexo (exercício).

“Amor é um livro, Sexo é esporte”
Amor é um sentimento de dedicação a outro alguém, é um querer estar junto, é um buscar aconchego na imensidão do bem querer. Quando amamos fazemos história, temos uma sensação de infinito, nos traz sabedoria do outro e nos mostra um pouco mais de nós mesmos. Fazer amor é o antes, o no olho no olho, na cumplicidade sem palavras; durante é atividade sexual expressão do desejo erótico, onde buscamos o prazer físico, vivenciado na manifestação da resposta sexual, na ativação do pensamento ou na imagem erótica. Fazer amor é o depois, no descanso dos corpos, um no peito do outro, no afago dos cabelos, no embalo das batidas ritmadas dos corações. É se sentir compromissado com a vida do outro e desejar a continuidade da união, é ternura.
“Amor é latifúndio, Sexo é invasão”
“Amor é cristão, Sexo é pagão”
Por amor, somos generosos, dedicados, suaves e carinhosos, cuidadosos. Por tesão, somos ardentes, agressivos, as carícias são intensas, apertamos, puxamos, abusamos, somos egoístas para o gozo. É a tesão, o desejo erótico, sempre transgressor, querendo ir além das normas e interdições sócio- culturais. Somos frutos da cultura em que nascemos e vivemos e esta cultura é passível de transformações, sempre lentas é claro, mas que moldam nossas crenças. Vivemos numa revolução sexual, ela ainda não se resolveu. Sendo assim, queremos sexo sem preconceito, sem repressão, sem decência, sem moral e sem pecado; queremos sexo com descontração, espontaneidade e criatividade.

“Sexo sem amor é vontade”
Sente-se uma combustão no ar. Ela fala de desejo, de apetite, de uma disposição pra se aproximar de alguém com intenções sexuais, função autônoma, de um querer que vem, nem sempre sabemos de onde e tão desvinculados de nossos compromissos que esquecemos quem somos e onde estamos, é arrepio na coluna. Veríssimo já escreveu “dar não é fazer amor......só dar por dar”. É uma vontade de realizar imediata e imperativamente um desejo físico, uma fantasia. Existem objetivos diferentes para a atividade sexual como a reprodução, a experimentação, a tesão. Entretanto somos animais racionais e conscientes, nossa sexualidade não é livre, é envergonhada, sabemos que as aventuras envolvem riscos, riscos que nos expõe à vulnerabilidade e perdas. A maturidade é quando reconhecemos essa vontade, identificamos sua fonte, fazemos escolhas, resistimos e por acreditarmos nelas, não nos arrependemos.
Existem formas diferentes de amar: filial, maternal, amizade, romântico e este último precisa saber conviver com o sexo equilibradamente, senão vai anulá-lo.

“Amor é bossa-nova, Sexo é carnaval”
O Amor é um ritmo lento que nos embala, Sexo é folia, ritmo agitado, suadeira, diversão, folia e fantasia. Puxa! Gostamos dos dois, podemos ter os dois? O relacionamento ideal tem tudo, amor, sexo, satisfação, porém, na prática a rotina se impõe ao sexual e é preciso saber que amar não isenta a preocupação com a manutenção do clima erótico. Muitos amam e não expressam seu erotismo, outros fazem sexo, mas não se amam.
O estudo da sexualidade nos faz compreender cada vez mais o conceito e a representação do erotismo, que é genuíno a partir de cada um de nós e não imposto pela cultura consumista.
Assim agora, me permito definir livremente algumas diferenças entre amor e sexo:

‘Sexo é da luta, Amor é da paz. Sexo é possuir, Amor é entregar. Sexo é ilha, Amor é continente. ’

terça-feira, 10 de março de 2009

Sexualidade


Nossa sexualidade é a maneira pela qual expressamos e comunicamos nossos desejos, sentimentos, emoções e prazeres. Seu veículo é o corpo e, através dele transmitimos e recebemos mensagens tão ou mais verdadeiras do que aquelas ditas pela nossa fala.

A sexualidade humana é um conjunto de fenômenos que se desenvolve na interação de vários fatores como a identidade sexual (que nos é dada ao nascer), a identidade de gênero (que a cultura nos impõe desde o início da vida) e o processo educacional, que molda nosso comportamento de acordo com os valores familiares, religiosos e culturais.

Nossa história de vida sexual vai acontecendo assim, vamos aprendendo o que é permitido, o que é tabu, o que é feio e sujo e o que é belo e gostoso.

De acordo com o clima no qual as primeiras experiências sexuais se realizam, haverá facilidade ou não de nos expressarmos espontâneamente nos relacionamentos afetivos. Qualquer mau funcionamento da atividade sexual traz para o indivíduo baixa auto-estima, desgaste da relação, ansiedade e consequente queda ou perda do apetite sexual.

Por isso, hoje eu me dedico à educação formal para uma saúde psicossocial, oportunidade para os jovens adquirirem conhecimentos de saúde reprodutiva, sexualidade e uso de drogas, debates sobre as diferenças entre os gêneros e liberdade de expressão.


Falarei mais sobre isto da próxima vez.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Saúde Psicossocial

A Saúde Psicossocial complementa a saúde física e pressupõe que o indivíduo esteja bem consigo mesmo e que possa se relacionar com o outro de maneira satisfatória. Para tanto, é preciso que saiba reconhecer suas habilidades, fragilidades e que saiba usufruir do prazer.

A compreensão da saúde biopsicossocial como um direito humano fundamental é tão importante quanto oferecer meios para que todos tenham acesso às informações de seus interesses e recursos, para procurar uma ajuda, quando necessário.

Como se aprende isso?

Desde o início da década de 1980, a discussão sobre os temas que permeiam o dia-a-dia da comunidade escolar, tais como a pluralidade de concepções, valores, crenças e diversidade, gerou movimentos que resultaram na apresentação dos Temas Transversais, dentro dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).

Grupos de especialistas se organizaram para treinar educadores da rede pública de ensino de São Paulo, que em sala de aula, lidariam com temas como Ética; Saúde; Sexualidade; Trabalho e Consumo; Pluralidade Cultural e Meio Ambiente.

Mas nem todos trabalham estes temas, principalmente sexo e drogas (ainda temas tabus!), nem todos foram capacitados e, fora da rede pública, poucas escolas se dedicam à reflexão desses temas.

Então, resta o que cada um pode aprender em casa, com os valores familiares, como manter a saúde física, bem relacionar-se no trabalho e na intimidade e como se sentir bem consigo mesmo
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domingo, 15 de fevereiro de 2009

Como é mesmo o seu nome?

-Meu nome é Glaury
- Glória? Claudia?
-Glaury ( soletrando: G L A U R Y )
-Que nome diferente! de onde é?
E, quando estou com paciência conto que minha mãe estava tão apaixonada quando se casou que uniu o nome dela (Gláucia) e o do meu pai (Ary).

Quando pequena achava chato ter um nome que ninguém conhecia, porque não entendiam e dava trabalho de explicar; no início da adolescência, lembro de desejar ter um nome bem comum, para me apresentar para os meninos nas danceterias.

Foi aos 16 anos que isso começou a mudar; comecei a gostar muito do meu nome, da sua sonoridade, da criatividade da minha mãe, de brincar de escrevê-lo de diversas maneiras e de ser a única a usá-lo. Fui uma adolescente típica, rebelde, criativa, insegura, mística e sempre apaixonada.

Assim começou o meu processo de identidade pessoal e também, uma de tantas escolhas que começaria a fazer: qual carreira seguir?

Entre tantas fiquei entre duas: ser musicista ou ser psicóloga.

Logo eu me dei conta de que eu sempre me interessava por textos, filmes, dramas, que abordavam a compreensão analítica do indivíduo e de que minha disponibilidade em ajudar as pessoas deveria ser melhor ajustada.

A faculdade foi uma fase inesquecível, fonte de grandes descobertas e fortes relações afetivas. Encantei-me pela possibilidade de ter instrumentos técnicos para ajudar aos outros em suas angústias. E confirmei o quanto eu gosto de gente.

Enquanto fazia minhas especializações, trabalhei como professora de acompanhamento escolar; professora de piano; bancária (por muito pouco tempo) e instrumentadora cirúrgica.

Além do consultório, logo fui convidada a participar de um serviço ambulatorial de atendimento à adolescente, já como sexóloga, e tive a oportunidade de trabalhar com profissionais fantásticos, sob a coordenação do grande mestre Nelson Vitiello, assim como a contribuição sempre pontual e segura de Isméri Conceição. Lá, aprendi a importância de uma atenção profissional específica ao jovem adolescente e a gratificação que este trabalho dá ao cuidador.

Começaram as cobranças para que eu publicasse meus trabalhos e eu, sempre fugindo dos prazos, me sentia confortável só falando, fazendo palestras, dando aulas aos residentes da maternidade, nos cursos de pais e professores, apresentando-me em congressos, etc.

Isto porque eu adoro falar! Adoro contar uma estória!

Entretanto, esta última década tem me apresentado um exercício de redação técnica, que me tirou do conforto, e este blog é a celebração de uma habilidade que eu já começo a gostar.

Adoro também comentar e esclarecer questões sobre educação e saúde psicossocial, sexualidade e costumes contemporâneo. Este é o meu propósito.

Sejam bem vindos!